A popular frase "Publique ou pereça!" serviu de inspiração para criar este blog, um espaço visto como um "Diário de Classe". Aqui você encontra sugestões de atividades, notícias, enfim, tudo o que diz respeito ao vasto mundo da Educação, da Literatura e da Língua Portuguesa.

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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Confabulando: sugestão de atividades com o gênero FÁBULA (6º ano)


SITUAÇÃO INICIAL
 
1) Com certeza você já leu e ouviu muitas fábulas. Em grupos, tentem lembrar agora de uma delas, preenchendo a tabela abaixo:

TÍTULO:
PERSONAGENS
ENREDO (RESUMO)











2) Narre a fábula relembrada para a turma. Conversem sobre elas: são realmente fábulas? Por quê? 

3) Tente definir, com as informações discutidas pela sala, o gênero FÁBULA.

4) Você já percebeu que uma fábula não é uma narrativa qualquer. Ela tem um jeito bem próprio de ser escrita. A seguir, você terá trechos de textos diversos. Procure localizar os que são de fábulas, marcando-os com X.
(  )   Um roubo espetacular. Nenhum vidro quebrado, trancas e cadeados inviolados, silêncio absoluto na madrugada.
(  )   Olá! Meu nome é Carolina, tenho 10 anos e sou fã n° 1 do JUSTIN BIEBER...
(  )   Um corvo, tendo roubado um pedaço de carne, pousou sobre uma árvore. Uma raposa o viu e...
(  )   O ataque de um cão pit bull quase matou um menino de seis anos em Porto Alegre ontem...
(  )   Um camundongo tinha medo de um gato que o espreitava todos os dias. Sábio e prudente, foi consultar o rato vizinho.
(  )   Foi comemorado o casamento do príncipe e da princesa com muito luxo e alegria, e eles viveram juntos felizes para sempre.

5) Nas fábulas, algumas características aparecem repetidas frequentemente, determinando uma organização e um estilo próprios para esse gênero. Circule as letras que correspondam às características desse tipo de texto:
a. Inicia-se sempre com era uma vez; 
b. São pequenas histórias em que predominam os animais como personagens; 
c. Propõe a solução de enigmas, crimes ou mistérios; 
d. Os animais agem como se fossem pessoas: falam, cometem erros, são sábios ou tolos, bons ou maus;
e. Iniciam-se com um local, data e vocativo. Finalizam-se com saudação de despedida; 
f. O herói ou heroína sempre se sai bem no final;
g. É comum aparecer diálogos entre animais; 
h. Presença de seres ou objetos mágicos; 
i. Essas histórias terminam com uma moral, um ensinamento;
j. São oferecidas pistas que podem ajudar a solucionar um enigma;
k. Há uma comparação nas fábulas entre animais e qualidades ou defeitos próprios dos seres humanos.  
l.  As histórias se passam em castelos, com príncipes, bruxas e fadas.
m. São narrativas curtas que tratam de certas atitudes humanas como a disputa entre fortes e fracos, a esperteza e a lerdeza, a ganância e a bondade, a gratidão e a avareza.


TEXTO INFORMATIVO:
Você sabe de onde vêm as fábulas?
As fábulas não são textos que nasceram por acaso, sem nenhuma intenção, são criações muito antigas, contadas às pessoas para transmitir-lhes ensinamentos, orientando-as a como melhor pensarem e se comportarem na época e na sociedade em que viviam.
Há referências a elas em textos sumérios de 2000 a. c. e consta que eram conhecidas pelos hindus e muito apreciadas pelos gregos. É grego o primeiro fabulista de renome: Esopo, escravo que teria vivido em meados do século VI a. C.
Quem conta ou escreve uma fábula tem alguma intenção, seja de ensinar, aconselhar, convencer, divertir, seja de criticar e, às vezes, até fazer alguém desistir de um propósito ruim ou que não lhe era favorável.
As fábulas são narrativas curtas, se utilizam de animais como personagens, os quais assumem características humanas representando certas atitudes e comportamentos próprios dos homens, com o objetivo de passar uma de lição de vida.
O prestígio das fábulas nunca decaiu. No passado constituíam a literatura oral de muitos povos (eram transmitidas, a princípio, de boca a boca, de geração em geração; em locais públicos, como praças, festas populares ou salões de baile da época; só bem depois foram registradas por escrito).
No século XVII, escritores como La Fontaine, criaram novas fábulas ou recontaram antigas, em versos ou em pequenos contos em prosa.
Monteiro Lobato, nos anos trinta, reescreveu muitas fábulas por meio da turma do Sítio do pica-pau-amarelo. E, mais recentemente, inúmeros escritores se ocuparam da arte de atualizar essas histórias para deleite de todos.
In: Sete faces da fábula. Org. Márcia Kupstas,1. ed. São Paulo, Moderna, 1992.

Questões:
a. Como já mencionamos, as fábulas são textos bastante antigos e não eram escritos para crianças. Antigamente, para quem eram contadas e para que serviam?
b. Que tipo de assunto, geralmente, é narrado nas fábulas?
c. À princípio, no tempo dos primeiros fabulistas (criadores de fábulas), nem tudo era registrado por escrito. De que forma, então, eram transmitidas essas histórias, em que locais costumavam ser contadas e como permaneceram vivas até hoje?
d. Nos dias atuais se quisermos ler fábulas, em que tipo de material elas aparecem escritas e em quais locais podem ser encontradas?
e. Ainda hoje as fábulas encantam e divertem. Você acha que elas estão ultrapassadas ou têm algo a dizer nos dias atuais? O quê? A quem?

LEITURA DE FÁBULAS
A Cigarra e a Formiga é uma das fábulas atribuídas a Esopo, mendigo contador de histórias da Grécia que viveu entre 620 a 560 anos a.C. Esta fábula foi recontada por Jean de La Fontaine (1621-1695) e acabou muito popularizada.

Leia o texto original de Esopo:

Texto 1:
A cigarra e as formigas
No inverno, as formigas estavam fazendo secar o grão molhado, quando uma cigarra, faminta, lhes pediu algo para comer. As formigas lhe disseram: “Por que, no verão, não reservaste também o teu alimento?”. A cigarra respondeu: “Não tinha tempo, pois cantava melodiosamente”. E as formigas, rindo, disseram: “Pois bem, se cantavas no verão, dança agora no inverno”.

Agora, leia o texto de La Fontaine:

Texto 2:
A cigarra e a formiga

Tendo a cigarra, em cantigas,
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema,
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
– Amiga – diz a cigarra
– Prometo, à fé de animal,
Pagar-vos, antes de Agosto,
Os juros e o principal.
A formiga nunca empresta,
Nunca dá; por isso, junta.
– No verão, em que lidavas?
– À pedinte, ela pergunta.
Responde a outra: – Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora.
– Oh! Bravo! – torna a formiga
– Cantavas? Pois dança agora!


Veja outras versões:

Texto 3:
Sem barra
José Paulo Paes

Enquanto a formiga
Carrega a comida
Para o formigueiro,
A cigarra canta,
Canta o dia inteiro.

A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga.

Mas sem a cantiga
da cigarra
que distrai da fadiga,
seria uma barra
o trabalho da formiga! 

Questões: 
1) O autor reescreveu a fábula a seu modo, criando um novo jeito de contar. Que tipo de texto ele produziu? Que características observadas no texto, justificam sua resposta.
2) Ele alterou somente a forma ou o conteúdo da fábula também?
3) O que você percebeu sobre a posição do poeta? Ele concorda com a fábula “A cigarra e a formiga”? Explique.
4) No poema de José Paulo Paes, o canto da cigarra completa o trabalho da formiga; nas versões tradicionais lidas antes, o canto da cigarra é oposto ao trabalho da formiga. Assinale a resposta correta:
a. A partir da comparação, podemos concluir que na versão do poeta:
(  ) O trabalho do artista é menos importante que os demais trabalhos;
(  ) O trabalho do artista é tão importante quanto qualquer outro trabalho.

b. Nas versões tradicionais:
(  ) O trabalho do artista também é importante;
(  ) Só o trabalho que produz bens materiais é importante.


Texto 4:
A cigarra e a formiga (a formiga boa)

Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas, Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
- E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
- Eu cantava, bem sabe...
- Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.

Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.
Questões:
a. Comparando os textos lidos até o momento, marque X na alternativa abaixo que melhor os definam.
(  ) Tratam do mesmo conteúdo, ou seja, a história narrada é a mesma;
(  ) Há mudanças com relação à atitude das personagens;
(  ) A forma de organização de cada texto é diferente, embora tenham o mesmo tema.
 
b. Em qual dos textos o fabulista optou por uma forma mais simples e resumida de escrever? Com que propósito? 

c. Em qual versão a linguagem empregada se distancia mais do jeito de falar atual? Dê exemplos de palavras e descubra um sinônimo para elas.


Texto 5:
A formiga e a Cigarra (Fábula Contemporânea)

Era uma vez, uma formiguinha e uma cigarra muito amigas.
Durante todo o outono, a formiguinha trabalhou sem parar, armazenando comida para o perí­odo de inverno. Não aproveitou nada do sol, da brisa suave do fim da tarde e nem do bate papo com os amigos ao final do trabalho tomando uma cervejinha. Seu nome era “trabalho” e seu sobrenome “sempre”.
Enquanto isso, a cigarra só queria saber de cantar nas rodas de amigos e nos bares da cidade; não desperdiçou um minuto sequer, cantou durante todo o outono, dançou, aproveitou o sol, curtiu para valer sem se preocupar com o inverno que estava por vir.
Então, passados alguns dias, começou a esfriar. Era o inverno que estava começando. A formiguinha, exausta de tanto trabalhar, entrou para a sua singela e aconchegante toca repleta de comida.
Mas alguém chamava por seu nome do lado de fora da toca. Quando abriu a porta para ver quem era, ficou surpresa com o que viu: sua amiga cigarra estava dentro de uma Ferrari com um aconchegante casaco de vison.
E a cigarra disse para a formiguinha:
- Olá, amiga, vou passar o inverno em Paris. Será que você poderia cuidar da minha toca?
E a formiguinha respondeu:
- Claro, sem problemas! Mas o que lhe aconteceu? Como você conseguiu dinheiro para ir a Paris e comprar esta Ferrari?
E a cigarra respondeu:
- Imagine você que eu estava cantando em um bar na semana passada e um produtor gostou da minha voz. Fechei um contrato de seis meses para fazer shows em Paris… A propósito, a amiga deseja algo de lá?
- Desejo sim. Se você encontrar um tal de La Fontaine por lá, manda ele ir para a p#@$ que p*&%u!!!
“Trabalhe duro, mas aprenda a curtir a sua vida. O equilí­brio é o melhor método para viver!”

Questões:
a. Quem se deu bem nesta versão? A cigarra ou a formiga?
b. O que há de surpreendente? O que mais chamou sua atenção?
c. Tu concordas com a moral desta fábula?

Texto 6:
A cigarra e a formiga
                                                                                                                                                Ilustração de Gustave Doré


a. Ao observar a gravura, tente comparar com a versão original da fábula. Quem seria a cigarra? E a formiga? 
b. Analisando o ambiente, faça uma breve descrição da cena.


Texto 7:
Charge
 
a. O que o conteúdo da charge tem a ver com a fábula estudada?
b. Escreva um comentário sobre a charge.


PRODUÇÃO TEXTUAL
Finalmente chegou a hora de escrever uma fábula...   
 Dicas para a produção
Como você aprendeu, a fábula é uma pequena narrativa, cujas personagens são geralmente animais que pensam, falam e agem como se fossem seres humanos. A fábula encerra uma lição de moral, ensinamentos que chamam a atenção para o nosso modo de agir e de pensar.
Além disso, apresenta forma concisa, personagens simples, diálogos curtos, quase ausência de descrições. O narrador é sempre um observador que não participa da história. As personagens caracterizam-se por um único traço: o cordeiro é ingênuo; a raposa esperta; o pavão vaidoso. Isso torna mais fácil identificá-los com o ser humano.
Certamente seu repertório de fábulas aumentou muito no decorrer desse projeto, além das fábulas lidas e estudadas aqui, você pesquisou e compartilhou com sua turma tantas outras, enriquecendo, assim, seu acervo relativo a esse gênero.
Escolha, então, uma fábula conhecida, criando uma nova versão para ela, modernizando-a.
Ao escrever, primeiramente, seu rascunho, preste atenção nas dicas a seguir que farão de seu texto um bom texto:
§ Lembre-se de que o narrador somente conta os fatos sem participar diretamente deles (narrador observador);
§ Procure usar personagens que representem atitudes e comportamentos que melhor condizem com as pessoas que serão retratadas na fábula;
§ Seja conciso, não abuse das descrições, reúna informações em um texto breve. Evite repetições de palavras, use bem o recurso da pontuação;
§ Faça diálogos, marcando as falas das personagens com aspas ou com travessão;
§ Escreva a moral da história de modo explicativo ou utilizando um provérbio;
§ Dê um título.

Correção do texto
 Feitas todas as observações acima necessárias, procure, ainda, trocar de trabalho com alguns colegas. Dessa forma, seu texto será corrigido por você e por outros revisores, diminuindo qualquer possibilidade de inadequações. Após esse trabalho, a professora fará a averiguação final, destacando as contribuições que forem precisas.


Ilustração da história

A arte final é um fator indispensável para o sucesso do trabalho. Saiba que não é só mera reprodução visual do texto escrito; é, sim, um novo texto que se faz vislumbrar, enriquecendo, ampliando e complementando o já existente. Portanto, CAPRICHE!!

6 comentários:

  1. Muito boa essa sequência de atividades com fábulas,amei. Vou utilizá-la com sujestões de atividades

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  2. AS SUGESTÕES SÃO ÓTIMAS. PARABÉNS. ADOREI.

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  3. Amei seu material, pois contextualiza o aluno em vários aspectos do texto. Parabéns! Obrigada por partilhar tão especial atividade.

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  4. Tudo perfeito, parabéns e obrigada por compartilhar conosco esse material riquissimo.

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  5. Gostei muito dessa sugestão. Muito atrativa, certamente os alunos gostarão. Muito obrigada!

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